31/03/2014

Jesus e as leis.

Jesus e as leis
CPB - Evidencia

Os judeus do tempo de Cristo viviam sob muitos tipos de lei. Havia os Dez Mandamentos e as leis mosaicas, tanto para assuntos morais quanto civis. Ainda havia as tradições das autoridades religiosas, chamadas de leis rabínicas. Além de suas próprias leis e costumes, os judeus estavam sujeitos também a um governo estrangeiro, o romano.

Sob o governo romano (Mt 5:41; Lc 2:15; Mc 12:17; Jo 19:7). Jesus nasceu em um tempo de ocupação estrangeira na história de Israel. Inicialmente, os romanos haviam colocado a Judeia sob a liderança local e semi-independente de Herodes, o Grande. Após a morte dele, a Judeia foi dividida entre seus três filhos e, mais tarde, Pôncio Pilatos se tornou governador. Os judeus eram tratados como cidadãos de segunda classe em seu próprio país. Não tinham os mesmos direitos dos romanos e eram forçados a carregar cargas para os cidadãos do Império (Mt 5:41). Eram sujeitos a impostos romanos e ao recenseamento (Lc 2:1-5; Mc 12:17). Sem a permissão romana (Jo 19:7), nem mesmo podiam cumprir suas leis civis como descritas na Torá.
Jesus cumpriu a lei romana mesmo em face da injustiça. Ele advertiu Seus seguidores a percorrer uma milha a mais quando exigissem deles (Mt 5:41). E quando foi interrogado pelos fariseus se eles deveriam pagar os impostos aos romanos, Jesus respondeu: "Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mc 12:17).
A lei rabínica (2Rs 24:15; Mt 15:9; Mc 2:23; 3:1-6; Lc 13:34; Jo 5:8). Os israelitas, bem como as tribos de Judá e Benjamim, caíram na idolatria vez após vez. Após várias oportunidades de arrependimento rejeitadas, Deus deixou que o povo colhesse a consequência de seus erros. Os babilônios arruinaram o templo e levaram cativa grande parte da população judaica. Depois que Neemias, sob a direção de Deus, restaurou o templo e reconstruiu os muros de Jerusalém, os líderes judeus criaram leis para proteger os Dez Mandamentos e as leis da Torá, para que assim o povo judeu nunca mais fosse levado cativo. O mandamento de Deus para guardar o sábado, por exemplo, foi expandido para incluir regras bastante minuciosas, que estabeleciam desde a distância que alguém podia caminhar nesse dia até se alguém podia ou não pegar um lenço do chão durante o sábado.
Jesus parecia ter pouca consideração por essas tradições. Ele começou a curar no sábado pessoas que não corriam risco de morte. Ele permitiu que Seus discípulos colhessem grãos e os comessem no sábado. Ele até mesmo ordenou que algumas das pessoas que Ele curou pegassem sua cama e a levassem para casa nesse dia. Tudo isso fez com que os fariseus e líderes religiosos se sentissem contrariados e ameaçados.

As leis mosaicas (Dt 22:23, 24; 24:1-4; Mt 19:9; Jo 8:1-11). Elas estabeleciam regras para o dia a dia do povo de Israel. Algumas dessas leis apontavam para Cristo. Após Sua morte na cruz, os sacrifícios e cerimônias no templo não eram mais necessários. O tipo havia encontrado o antítipo.

A lei mosaica permitia que o marido desse um certificado de divórcio à sua esposa, caso ele descobrisse nela algo que o desagradasse (Dt 24:1-4). Jesus, no entanto, disse que a única razão para o divórcio são as relações sexuais ilícitas (Mt 19:9). Assim, Cristo chamou o povo para um padrão mais elevado.

Embora as leis civis e cerimoniais também tivessem sido dadas por Deus, elas eram de caráter transitório. Cristo veio ao mundo para dar a essas leis seu devido cumprimento, ampliando e aprofundando seu significado.

A lei moral (Mt 5:21, 22; 19:16-26; Mt 25, 27-28, Mc 12:30, 31; Hb 4:15). Os Dez Mandamentos nos mostram o caráter de Deus e a nossa condição pecaminosa. Jesus guardou perfeitamente essa lei. Embora Ele soubesse que a salvação não vem por meio da lei, ainda assim Ele a obedeceu (Mt 19:16-26). Cristo ensinou que os mandamentos da lei podem ser resumidos em uma palavra: amor – para com Deus, acima de todas as coisas, e para com o próximo, como a nós mesmos (Mc 12:30, 31).
Enquanto os líderes judeus observavam rigorosamente apenas o aspecto legal dos mandamentos, Jesus destacou os princípios espirituais por trás da lei. No Sermão da Montanha, Ele demonstrou que guardar externamente a lei não é o suficiente. Todos nós pecamos, tanto exteriormente quanto em nosso coração. Por isso, de acordo com Jesus, o ódio é equivalente ao assassinato e a lascívia é equivalente ao adultério (Mt 5:21; 27, 28). Nenhum de nós pode se vangloriar de guardar perfeitamente os mandamentos.
Obedecer à lei e demonstrar amor aos outros e a Deus não dependem do nosso legalismo, mas são a consequência natural de nosso relacionamento com Cristo e Sua graça. Não é o legalismo dos fariseus que nos salvará, mas os méritos de nosso perfeito Salvador.

Mãos à Bíblia

O órgão legislativo responsável pela administração da lei judaica era chamado Sinédrio, composto por 71 homens escolhidos entre os sacerdotes, anciãos e rabinos e era presidido pelo sumo sacerdote. A lei civil judaica estava fundamentada nos códigos civis revelados nos cinco livros de Moisés. Na época de Jesus, os judeus estavam sujeitos ao direito romano. No entanto, o governo romano permitia que eles usassem a lei mosaica a fim de resolver questões relacionadas com seus costumes.

2. Leia Mateus 26:59-61; Hebreus 10:28; Deuteronômio 17:2-6. Que princípio importante é visto nesses textos? O que isso nos diz a respeito dos conceitos bíblicos de justiça e igualdade?

Jill Manoukian | Indianápolis, Indiana, EUA

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