Jesus e as leis
CPB - Evidencia
Os judeus do tempo de Cristo viviam sob muitos tipos de lei. Havia os
Dez Mandamentos e as leis mosaicas, tanto para assuntos morais quanto
civis. Ainda havia as tradições das autoridades religiosas, chamadas de
leis rabínicas. Além de suas próprias leis e costumes, os judeus estavam
sujeitos também a um governo estrangeiro, o romano.
Sob o
governo romano (Mt 5:41; Lc 2:15; Mc 12:17; Jo 19:7). Jesus nasceu em um
tempo de ocupação estrangeira na história de Israel. Inicialmente, os
romanos haviam colocado a Judeia sob a liderança local e
semi-independente de Herodes, o Grande. Após a morte dele, a Judeia foi
dividida entre seus três filhos e, mais tarde, Pôncio Pilatos se tornou
governador. Os judeus eram tratados como cidadãos de segunda classe em
seu próprio país. Não tinham os mesmos direitos dos romanos e eram
forçados a carregar cargas para os cidadãos do Império (Mt 5:41). Eram
sujeitos a impostos romanos e ao recenseamento (Lc 2:1-5; Mc 12:17). Sem
a permissão romana (Jo 19:7), nem mesmo podiam cumprir suas leis civis
como descritas na Torá.
Jesus cumpriu a lei romana mesmo em face da
injustiça. Ele advertiu Seus seguidores a percorrer uma milha a mais
quando exigissem deles (Mt 5:41). E quando foi interrogado pelos
fariseus se eles deveriam pagar os impostos aos romanos, Jesus
respondeu: "Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mc
12:17).
A lei rabínica (2Rs 24:15; Mt 15:9; Mc 2:23; 3:1-6; Lc
13:34; Jo 5:8). Os israelitas, bem como as tribos de Judá e Benjamim,
caíram na idolatria vez após vez. Após várias oportunidades de
arrependimento rejeitadas, Deus deixou que o povo colhesse a
consequência de seus erros. Os babilônios arruinaram o templo e levaram
cativa grande parte da população judaica. Depois que Neemias, sob a
direção de Deus, restaurou o templo e reconstruiu os muros de Jerusalém,
os líderes judeus criaram leis para proteger os Dez Mandamentos e as
leis da Torá, para que assim o povo judeu nunca mais fosse levado
cativo. O mandamento de Deus para guardar o sábado, por exemplo, foi
expandido para incluir regras bastante minuciosas, que estabeleciam
desde a distância que alguém podia caminhar nesse dia até se alguém
podia ou não pegar um lenço do chão durante o sábado.
Jesus parecia
ter pouca consideração por essas tradições. Ele começou a curar no
sábado pessoas que não corriam risco de morte. Ele permitiu que Seus
discípulos colhessem grãos e os comessem no sábado. Ele até mesmo
ordenou que algumas das pessoas que Ele curou pegassem sua cama e a
levassem para casa nesse dia. Tudo isso fez com que os fariseus e
líderes religiosos se sentissem contrariados e ameaçados.
As
leis mosaicas (Dt 22:23, 24; 24:1-4; Mt 19:9; Jo 8:1-11). Elas
estabeleciam regras para o dia a dia do povo de Israel. Algumas dessas
leis apontavam para Cristo. Após Sua morte na cruz, os sacrifícios e
cerimônias no templo não eram mais necessários. O tipo havia encontrado o
antítipo.
A lei mosaica permitia que o marido desse um
certificado de divórcio à sua esposa, caso ele descobrisse nela algo que
o desagradasse (Dt 24:1-4). Jesus, no entanto, disse que a única razão
para o divórcio são as relações sexuais ilícitas (Mt 19:9). Assim,
Cristo chamou o povo para um padrão mais elevado.
Embora as
leis civis e cerimoniais também tivessem sido dadas por Deus, elas eram
de caráter transitório. Cristo veio ao mundo para dar a essas leis seu
devido cumprimento, ampliando e aprofundando seu significado.
A
lei moral (Mt 5:21, 22; 19:16-26; Mt 25, 27-28, Mc 12:30, 31; Hb 4:15).
Os Dez Mandamentos nos mostram o caráter de Deus e a nossa condição
pecaminosa. Jesus guardou perfeitamente essa lei. Embora Ele soubesse
que a salvação não vem por meio da lei, ainda assim Ele a obedeceu (Mt
19:16-26). Cristo ensinou que os mandamentos da lei podem ser resumidos
em uma palavra: amor – para com Deus, acima de todas as coisas, e para
com o próximo, como a nós mesmos (Mc 12:30, 31).
Enquanto os
líderes judeus observavam rigorosamente apenas o aspecto legal dos
mandamentos, Jesus destacou os princípios espirituais por trás da lei.
No Sermão da Montanha, Ele demonstrou que guardar externamente a lei não
é o suficiente. Todos nós pecamos, tanto exteriormente quanto em nosso
coração. Por isso, de acordo com Jesus, o ódio é equivalente ao
assassinato e a lascívia é equivalente ao adultério (Mt 5:21; 27, 28).
Nenhum de nós pode se vangloriar de guardar perfeitamente os
mandamentos.
Obedecer à lei e demonstrar amor aos outros e a Deus
não dependem do nosso legalismo, mas são a consequência natural de nosso
relacionamento com Cristo e Sua graça. Não é o legalismo dos fariseus
que nos salvará, mas os méritos de nosso perfeito Salvador.
Mãos à Bíblia
O órgão legislativo responsável pela administração da lei judaica era
chamado Sinédrio, composto por 71 homens escolhidos entre os sacerdotes,
anciãos e rabinos e era presidido pelo sumo sacerdote. A lei civil
judaica estava fundamentada nos códigos civis revelados nos cinco livros
de Moisés. Na época de Jesus, os judeus estavam sujeitos ao direito
romano. No entanto, o governo romano permitia que eles usassem a lei
mosaica a fim de resolver questões relacionadas com seus costumes.
2. Leia Mateus 26:59-61; Hebreus 10:28; Deuteronômio 17:2-6. Que
princípio importante é visto nesses textos? O que isso nos diz a
respeito dos conceitos bíblicos de justiça e igualdade?
Jill Manoukian | Indianápolis, Indiana, EUA

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