25/11/2013

Graça no tribunal de Deus

Se "a graça acha beleza em tudo", como diz certa canção, então preciso ver o juízo de Deus como uma coisa positiva. Contudo, para ser honesto, o conceito de Deus me julgar me assusta. Isso me deixa com algumas possibilidades:

1. Negar que há um juízo. Fazemos isso para nos proteger do medo que sentimos desse conceito. A maneira mais fácil de lançar descrédito sobre algo é negar sua existência. Mas para fazer isso seria preciso ignorar muitos textos bíblicos (Jó 19:29; Sl 9:7; 94:15; Ez 38:22; Mt 11:24; 12:36; Rm 2:1; 2Cr 5:10; 1Pe 4:17).

2. Tentar ser perfeito para que você esteja do lado certo do juízo. Esta opção, muitos tentam (inclusive eu), e acabam levantando as mãos para o alto em total frustração por não conseguir fazê-lo. "As Escrituras não deixam dúvida quanto a isto: 'Não há ninguém vivendo certo, nem um só, ninguém que entenda as coisas, ninguém que esteja alerta para Deus. Todos eles enveredaram pelo caminho errado; todos eles estão vagueando por becos sem saída. Não há ninguém vivendo certo; não consigo achar nem um" (Rm 3:10-12, The Message).

3. Ver o juízo como uma coisa positiva. Isso é parte do processo através do qual Deus poderá finalmente Se livrar do pecado de maneira justa (veja Ap 15:1-8). Cometemos o erro de nos concentrarmos no ato de Deus nos julgar. A Bíblia ensina claramente que é Deus e a maneira como Ele lida com o problema do pecado que estão sendo examinados. Demasiadas vezes tornamos o juízo algo a respeito de nós, quando na verdade é a respeito de Deus. Nós somos testemunhas do que a graça de Deus pode fazer e faz, com relação ao problema do pecado.

Outra chave para termos uma visão positiva do juízo é vê-lo através dos olhos da graça. Davi viu o julgamento de Deus como positivo (Sl 51:1-14) por essa razão. Ele o viu como parte do processo através do qual Deus pode lidar com o pecado. Ele, na verdade, por essa razão, convida o juízo e anseia por ele. C. S. Lewis escreveu: "Pois o que nos alarma na ideia cristã é a infinita pureza do padrão de acordo com o qual nossos atos são julgados. Mas sabemos que nenhum de nós vai chegar à altura desse padrão. Estamos no mesmo barco. Todos precisamos colocar nossas esperanças na misericórdia de Deus e na obra de Cristo, não em nossa própria bondade."1 Felizmente, Jesus pagou o preço pelo nosso pecado ao morrer na cruz. Por ter sido o Seu sangue derramado, Ele passou a ter o direito de perdoar nosso pecado e purificar-nos dele.

Talvez, a melhor notícia sobre o juízo seja Quem é o juiz. João 5:22 e 27 diz que Deus deu a Jesus o direito e a capacidade de executar o processo de julgamento. Além disso, se estou com Jesus, não entro em condenação (não sou proclamado culpado) no juízo. "É urgente que vocês ouçam cuidadosamente isto: qualquer pessoa agora mesmo que creia no que Eu estou dizendo e se alie ao Pai, que na verdade Me colocou no comando, tem neste mesmo momento a vida real e duradoura e já não está condenado a ser um intruso. Essa pessoa deu um gigantesco passo do mundo dos mortos para o mundo dos vivos" (Jo 5:24, The Message). Frederick Buechner escreveu: "O juiz será Cristo. Em outras palavras, aquele que irá nos julgar de maneira final será quem nos ama de maneira completa. [...]

A pior sentença que o Amor pode pronunciar é que contemplemos o sofrimento que o amor suportou por nossa causa, e isso é também nossa absolvição. A justiça e a misericórdia do juiz são, em última análise, a mesma coisa."2

Jesus nos salvou não apenas morrendo na cruz, mas nos salva de ser achados culpados no Juízo, se permanecermos em relacionamento com Ele. A graça, na verdade, tem tudo a ver com isso.

1. C. S. Lewis, Reflections on the Psalms (London: Wyman and Sons, 1958), p. 13.
2. Frederick Buechner, Wishful Thinking: A Theological ABC (New York: Harper Collins, 1993), p. 58.


Nenhum comentário:

Postar um comentário