A lei dos rituais
CPB - Exposicao
O poder do ritual (Lv 4 e 16). Muitos cristãos protestantes, incluindo
alguns adventistas do sétimo dia, têm certa aversão à palavra "ritual".
No entanto, rituais são parte integrante de nossa vida diária, mesmo que
não estejamos conscientes de sua presença. Considere a importância dos
rituais políticos (a tomada de posse de um novo presidente, por exemplo)
ou os rituais que marcam transições importantes da vida (aniversário,
casamento, formatura, etc.). No Antigo Testamento, os rituais assumiam
um papel muito importante. A morte de um animal inocente ensinava
claramente a gravidade do pecado. A transferência do pecado de alguém
através da imposição das mãos sobre a cabeça do animal era um ato
simbólico. Alguém tinha que pagar o preço. O sangue era recolhido e
aplicado sobre o altar; em seguida, era trazido para o santuário e
aspergido sobre o véu que separava o lugar santo do santo dos santos. O
animal era queimado e, uma vez por ano, o santuário, contaminado com os
pecados da nação, era "purificado", no Dia da Expiação (Lv 16). Tudo
isso apontava para aspectos específicos do plano da redenção. Ou seja:
os rituais são importantes, especialmente no que se refere à sua função
didática. Por isso, ao vir à Terra, Cristo respeitou não somente a lei
moral, mas também as ordenanças e cerimônias que, após Sua morte na
cruz, não mais seriam necessárias.
Jesus, os rituais e o judaísmo do
primeiro século (Jo 13). Os rituais desempenharam um papel importante
nos dias de Jesus. O templo representava o centro da teologia e da vida
judaica. Quando consideramos os escritos do Mar Morto, que datam
aproximadamente do século anterior ao do nascimento de Jesus, começamos a
entender a quantidade enorme de rituais que havia entre os judeus da
época. Purificações, lavagens rituais, bênçãos, orações, tudo envolvia
rituais. Desde o momento em que acordavam até o fim do dia, os
habitantes de Qumran (onde foram encontrados os rolos do Mar Morto), bem
como os judeus em geral, estavam cercados por atos simbólicos. Vale
lembrar que, embora o Antigo Testamento estabelecesse várias leis
cerimoniais, grande parte desses rituais provinha da "tradição dos
anciãos" (Mt 15:2) e não da Bíblia.
Foi nesse contexto repleto de
rituais que Jesus nasceu e foi criado. Ele foi circuncidado ao oitavo
dia (Lc 2:21). Seus pais pagaram o preço do resgate por Ele ser o
primogênito (Lc 2:22-24). Ele visitou o templo e participou do ritual da
Páscoa.
Quando havia chegado o momento de celebrar a última Páscoa
antes de Sua morte, Jesus transformou um ritual existente (a Páscoa) e
instituiu, a partir dele, um novo ritual que lembra aos Seus discípulos
Sua morte, ressurreição e segunda vinda
(Jo 13; Mt 26:17-30; 1Co
11:23-26). Cristãos de todo o mundo ainda celebram a ceia da comunhão.
Os adventistas do sétimo dia, em particular, revivem também, antes de
cada santa ceia, o serviço de humildade, lavando os pés uns dos outros,
como Jesus lavou os pés de Seus discípulos. O batismo é outro exemplo de
um ritual que comunica conceitos-chave da vida cristã: a morte para o
pecado e a ressurreição para Deus.
Os rituais bíblicos não só
apontavam para o Messias, mas eram – e ainda são – também uma ferramenta
pedagógica de Deus, para ensinar o plano da salvação. E tudo isso se
resume em Jesus, "o Autor e Consumador da [nossa] fé" (Hb 12:2).
Mãos à Bíblia
3. Com base em Lucas 2:41-52, responda às seguintes perguntas:
a. Como essa história ilustra o caráter judaico dos evangelhos e a centralidade da religião em tudo o que acontecia?
b. Qual é a importância do fato de que essa história aconteceu durante a Páscoa?
c. Por quantos dias os pais de Jesus não conseguiram encontrá-Lo? Que lembrança isso traz a você?
d. Embora Jesus fosse uma criança obediente, Sua resposta aos pais
parece ter sido quase uma repreensão. Que ponto importante essa resposta
contém? O que isso nos diz sobre o que deve ter prioridade em nossa
vida?
Pense Nisto
Em sua opinião, para que servem os rituais? Em que sentido eles podem ser prejudiciais?
Lisa Poole | Elbert, Colorado, EUA

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