14/04/2014

Por trás das regras

Por trás das regras

CPB - Evidencia

Tradições humanas (Mc 7:1-8). Nos dias de Cristo, a maioria do povo judeu vivia de acordo com o modo pelo qual os fariseus e saduceus interpretavam a lei. Esses homens dirigiam a espiritualidade das pessoas e promoviam a tradição em lugar dos verdadeiros princípios da lei de Deus. Alguns fariseus e mestres da lei vieram de Jerusalém e, reunindo-se em volta de Jesus, viram Seus discípulos comendo sem ter lavado as mãos de acordo com a cerimônia.
Fundamentados na tradição, os judeus deviam passar por um ritual específico de lavar as mãos, pois, se houvessem tido contato com algum não judeu, seriam considerados impuros. Em Marcos 7:5, os líderes religiosos questionaram Jesus por não ensinar aos discípulos a tradição dos anciãos. Ele, então, citou Isaías 29:13, onde o profeta Isaías advertiu o povo contra a hipocrisia: "Esse povo [...] Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim". Cristo mostrou que os mandamentos de Deus, que são fundamentados em Seu amor por nós, são muito mais importantes do que doutrinas humanas. É verdade que muitas tradições são importantes, mas elas precisam ser governadas pela Palavra de Deus. Aqueles que ensinam doutrinas dos homens em lugar da Bíblia, a esses Cristo chamou de hipócritas.
Princípios por trás da lei (Jo 8:1-12). O relato de João 8:1-12 nos mostra que Cristo Se deteve mais no espírito da lei do que em sua letra, ou seja, Ele procurava o princípio mais amplo por trás de cada mandamento. A lei hebraica exigia que, se um homem e uma mulher fossem pegos em adultério, ambos deviam ser apedrejados (Dt 22:22). Mas no relato mencionado acima, somente a mulher foi levada perante Jesus. Onde estava o homem que cometeu adultério com ela? O que eles realmente queriam era apanhar Jesus numa cilada. Cristo, com Sua divina sabedoria, apelou para o princípio moral por trás do mandamento contra o adultério – a fidelidade –, e levou Seus ouvintes a um autoexame (v. 7). Todos entenderam onde Jesus queria chegar!
A religião, se não for equilibrada com a justiça e o amor, pode se tornar extremista e perigosa. Cristo, como autor da lei, lidou com ela da maneira mais saudável possível, e deseja que façamos o mesmo.
As regras e o Dono delas (Mc 10:17-27). O jovem rico acreditava na salvação pelas obras. Foi por isso que ele perguntou: "Que farei para herdar a vida eterna?" Mas será que ele estava realmente interessado na vida eterna? Ou queria, na verdade, elogios e a confirmação de que o que estava fazendo era certo? A tradição de obedecer aos mandamentos mecanicamente era mais importante para aquele jovem do que viver a essência da lei: amar a Deus a ponto de abrir mão de tudo por Ele. Lembre-se: Antes de guardar a lei, precisamos amar o Deus da lei. Acima das regras está o Dono delas.
Ser fiel às tradições herdadas de seus pais, avós e bisavós não carimba seu passaporte para o Céu. Manter as boas tradições é algo muito positivo, e faz parte da formação de nossa identidade. O problema é quando reduzimos nossa religião a um conjunto de tradições, costumes e ritos vazios. Para saber o que realmente significa a salvação, você precisa desenvolver uma afinidade com Deus a ponto de não conseguir imaginar viver sem Ele. Busque essa experiência, e você não vai se arrepender!

Tema de hoje: Você já deu um passo de humilhação? Participe no Pequeno Grupo.

Mãos à Bíblia

2. Leia Mateus 15:1-6. Qual foi a controvérsia nesse episódio? Qual erro Jesus procurou corrigir?

Não parece que Jesus tivesse problema com a existência das regras dos fariseus. Para Jesus, o problema era a elevação dessas regras à condição de "doutrina". Nenhum ser humano tem o poder de criar restrições religiosas e elevá-las ao nível de mandamento divino. Mas isso não quer dizer que os cristãos estejam proibidos de criar regulamentos que ajudem a governar o comportamento da comunidade. A instrução prática muito poderia ajudar as pessoas na observância da lei. No entanto, jamais se deve permitir que a instrução assuma o lugar da própria lei.

Pense Nisto

Pense nas tradições religiosas que cercam você, especialmente em sua vida e em sua igreja local. Quais dessas tradições podem ser consideradas boas e necessárias? E quais você considera que são prejudiciais à sua comunhão com Deus? O que você pode fazer em relação a isso?

Paul Graham | Bowie, Maryland, EUA

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