Por trás das regras
CPB - Evidencia
Tradições humanas (Mc 7:1-8). Nos dias de Cristo, a maioria do povo
judeu vivia de acordo com o modo pelo qual os fariseus e saduceus
interpretavam a lei. Esses homens dirigiam a espiritualidade das pessoas
e promoviam a tradição em lugar dos verdadeiros princípios da lei de
Deus. Alguns fariseus e mestres da lei vieram de Jerusalém e,
reunindo-se em volta de Jesus, viram Seus discípulos comendo sem ter
lavado as mãos de acordo com a cerimônia.
Fundamentados na tradição,
os judeus deviam passar por um ritual específico de lavar as mãos,
pois, se houvessem tido contato com algum não judeu, seriam considerados
impuros. Em Marcos 7:5, os líderes religiosos questionaram Jesus por
não ensinar aos discípulos a tradição dos anciãos. Ele, então, citou
Isaías 29:13, onde o profeta Isaías advertiu o povo contra a hipocrisia:
"Esse povo [...] Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe
de Mim". Cristo mostrou que os mandamentos de Deus, que são
fundamentados em Seu amor por nós, são muito mais importantes do que
doutrinas humanas. É verdade que muitas tradições são importantes, mas
elas precisam ser governadas pela Palavra de Deus. Aqueles que ensinam
doutrinas dos homens em lugar da Bíblia, a esses Cristo chamou de
hipócritas.
Princípios por trás da lei (Jo 8:1-12). O relato de João
8:1-12 nos mostra que Cristo Se deteve mais no espírito da lei do que
em sua letra, ou seja, Ele procurava o princípio mais amplo por trás de
cada mandamento. A lei hebraica exigia que, se um homem e uma mulher
fossem pegos em adultério, ambos deviam ser apedrejados (Dt 22:22). Mas
no relato mencionado acima, somente a mulher foi levada perante Jesus.
Onde estava o homem que cometeu adultério com ela? O que eles realmente
queriam era apanhar Jesus numa cilada. Cristo, com Sua divina sabedoria,
apelou para o princípio moral por trás do mandamento contra o adultério
– a fidelidade –, e levou Seus ouvintes a um autoexame (v. 7). Todos
entenderam onde Jesus queria chegar!
A religião, se não for
equilibrada com a justiça e o amor, pode se tornar extremista e
perigosa. Cristo, como autor da lei, lidou com ela da maneira mais
saudável possível, e deseja que façamos o mesmo.
As regras e o Dono
delas (Mc 10:17-27). O jovem rico acreditava na salvação pelas obras.
Foi por isso que ele perguntou: "Que farei para herdar a vida eterna?"
Mas será que ele estava realmente interessado na vida eterna? Ou queria,
na verdade, elogios e a confirmação de que o que estava fazendo era
certo? A tradição de obedecer aos mandamentos mecanicamente era mais
importante para aquele jovem do que viver a essência da lei: amar a Deus
a ponto de abrir mão de tudo por Ele. Lembre-se: Antes de guardar a
lei, precisamos amar o Deus da lei. Acima das regras está o Dono delas.
Ser fiel às tradições herdadas de seus pais, avós e bisavós não carimba
seu passaporte para o Céu. Manter as boas tradições é algo muito
positivo, e faz parte da formação de nossa identidade. O problema é
quando reduzimos nossa religião a um conjunto de tradições, costumes e
ritos vazios. Para saber o que realmente significa a salvação, você
precisa desenvolver uma afinidade com Deus a ponto de não conseguir
imaginar viver sem Ele. Busque essa experiência, e você não vai se
arrepender!
Tema de hoje: Você já deu um passo de humilhação? Participe no Pequeno Grupo.
Mãos à Bíblia
2. Leia Mateus 15:1-6. Qual foi a controvérsia nesse episódio? Qual erro Jesus procurou corrigir?
Não parece que Jesus tivesse problema com a existência das regras dos
fariseus. Para Jesus, o problema era a elevação dessas regras à condição
de "doutrina". Nenhum ser humano tem o poder de criar restrições
religiosas e elevá-las ao nível de mandamento divino. Mas isso não quer
dizer que os cristãos estejam proibidos de criar regulamentos que ajudem
a governar o comportamento da comunidade. A instrução prática muito
poderia ajudar as pessoas na observância da lei. No entanto, jamais se
deve permitir que a instrução assuma o lugar da própria lei.
Pense Nisto
Pense nas tradições religiosas que cercam você, especialmente em sua
vida e em sua igreja local. Quais dessas tradições podem ser
consideradas boas e necessárias? E quais você considera que são
prejudiciais à sua comunhão com Deus? O que você pode fazer em relação a
isso?
Paul Graham | Bowie, Maryland, EUA

Nenhum comentário:
Postar um comentário