02/09/2013

Amando até quem não “merece”

Os samaritanos eram um “grupo cismático dos judeus. Eles residiam ao norte de Judá e ao sul da Galileia e viviam em constante tensão com seus vizinhos judeus. A atitude de Jesus para com esse grupo desprezado contrasta radicalmente com o sentimento predominante naquele tempo.”1 Um templo samaritano havia sido construído no Monte Gerizim (provavelmente durante o quinto século a.C.), e tornou-se o centro da adoração samaritana, um rival do templo de Jerusalém. A hostilidade entre os samaritanos e os judeus continuou no período do Novo Testamento. Como acontece em modernas tensões étnicas, religiosas ou políticas, cada lado tinha certeza de que seu ressentimento era justificável. Sua raiva os impedia de buscar compreender a perspectiva de Deus e Sua vontade a respeito deles. O nível de desprezo que tinham uns pelos outros ficou evidente quando alguns judeus furiosamente confrontaram a Jesus, chamando-O de samaritano possuído pelo demônio (Jo 8:48). Apesar disso, Jesus não permitiu que a controvérsia O distraísse.

Em certa ocasião, Ele até tentou sensibilizar o coração de um intérprete da Lei, ao contar uma parábola na qual um samaritano demonstrava o verdadeiro espírito da Lei, em contraste com autoridades religiosas (Lc 10:25-37). Para ter uma ideia de quão incisiva foi essa ilustração contada por Jesus, imagine alguém nos dias de hoje contando uma história de fundo moral para um líder religioso em Israel, na qual o herói – o “mocinho” – fosse um palestino!
Mas, apesar de toda a desavença entre judeus e samaritanos, a Bíblia nos diz, em João, capítulo 4, que Jesus cruzou limites territoriais, religiosos e culturais para alcançar o coração de uma samaritana – e não somente dela, mas de muitos outros ali. Cristo, embora fosse judeu, rompeu as barreiras do ódio e do preconceito. Para Ele todos são objetos de Seu supremo amor, inclusive os que O odeiam.

Se queremos experimentar o poder de Deus, mediante o reavivamento, é preciso que nossa reforma inclua um espírito de perdão e de aceitação – inclusive dos que nos odeiam e daqueles de quem não “vamos com a cara”.

1. Walter A. Elwell,Tyndale Bible Dictionary (Carol Stream, IL: Tyndale House, 2001), p. 1154.



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