Oferta pelo pecado (Lv 4). A oferta pelo pecado ou oferta de purificação era a maneira pela qual uma pessoa que pecou "sem intenção" podia alcançar o perdão (Lv 4:2). O animal para sacrifício e alguns poucos detalhes da cerimônia variavam de acordo com quem havia pecado, mas o simbolismo permanecia o mesmo para todos. Os pecadores deviam escolher a oferta apropriada e trazê-la ao santuário, onde colocavam as mãos sobre animal a ser sacrificado, transferindo simbolicamente seus pecados para a vítima. Então, o animal era morto em lugar do pecador. Dependendo de vários fatores, o sacerdote devia borrifar o sangue do animal em diferentes partes do santuário e do altar.
Cobertura (Lv 4:26, 31, 35; Rm 5:8-11). O objetivo da oferta pelo pecado era obter a expiação. Mas o que é expiação? Em hebraico, o verbo expiar é kaphar que significa literalmente "cobrir".* O pecado é um estado de rebelião contra a Lei divina, que causa separação entre nós e Deus. Ele, por Sua vez, é um Deus de amor, que deseja manter um relacionamento conosco. Assim, o Senhor concebeu um plano para "cobrir" essa separação, reconciliando-nos com Ele. Jesus morreria, cumprindo a pena pelos nossos crimes e dando a cada pessoa a oportunidade de se reconciliar com Deus.
A expiação bíblica não tem como objetivo aplacar a raiva de um deus irado. Esse é um conceito pagão que tem se infiltrado no cristianismo. Em vez disso, a expiação é o plano de um Deus amoroso que deseja restaurar o relacionamento com as pessoas que Ele criou.
Pecado, pecadinho, pecadão (Lv 4; Jo 1:29, 36). Uma oferta pelo pecado era feita para purificar alguém após ter cometido um pecado sem intenção, ou "por ignorância". O animal do sacrifício era escolhido de acordo com a posição da pessoa na comunidade (sacerdote, autoridade ou gente comum). O que determinava o sacrifício era o conhecimento que o transgressor tinha da verdade, e não, necessariamente, o pecado cometido. Aos olhos de Deus, pecado é pecado. O que muda é o efeito que ele tem na vida daqueles que estão próximos ao pecador. Deus espera mais daqueles que receberam mais, pois com o conhecimento vem a responsabilidade (Lc 12:47, 48).
Confissão e imposição das mãos (Is 53; Mq 7:18-20; 1Jo 1:9). Uma vez que o pecador escolhia um animal, ele o levava publicamente ao santuário em reconhecimento de que havia pecado. Tal reconhecimento tem a mesma importância hoje. A morte de Cristo em nosso favor como Cordeiro de Deus somente se torna efetiva quando reconhecemos nossa natureza e atos pecaminosos e nos voltamos para Ele.
Depois, o pecador devia impor suas mãos sobre o animal a ser sacrificado, transferindo, assim, para ele a culpa dos pecados confessados. O animal, então, pagaria o preço pelo pecado em seu lugar (Lv 1:4; Rm 6:23). Esse simbolismo é poderoso e claro. O Cordeiro de Deus, Jesus, deveria carregar todos os nossos pecados confessados e pagar o preço por eles! Desse modo, Cristo fecharia a fenda que o pecado formou entre nós e nosso amoroso Pai. Em Cristo, a santa lei de Deus – que exige a morte do transgressor – foi satisfeita.
A morte do animal (Lv 4:7, 18, 25, 30; Is 49:17; Jr 17:1; 1Pe 1:22). A cerimônia não terminava ao ser trazida a oferta. O animal tinha que ser sacrificado. Seu sangue tinha que ser derramado. Então, o sacerdote mergulhava seu dedo no sangue e pressionava-o nos chifres do altar do holocausto. Esse ato, entre outros realizados pelo sacerdote, registrava no santuário os pecados perdoados (Jr 17:1). Tal "registro" era eliminado no Dia da Expiação.
O pecado tem uma etiqueta com um preço muito alto. Mesmo quando confessamos nossas faltas e Jesus as toma sobre Si para nos perdoar, os efeitos (ou marcas) do pecado permanecem, assim como o sangue colocado nos chifres do altar. Somente na purificação final é que todas as coisas serão feitas novas, e os efeitos do pecado serão erradicados do Universo. Mesmo assim, Cristo ainda terá em Seu corpo as feridas da cruz, para nos relembrar do preço que Ele pagou pela nossa restauração (Jo 20:26, 27; O Grande Conflito, p. 674). Isso deve nos inspirar a viver uma vida santa, em honra ao grande amor de Deus por nós.
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