14/10/2013

O conceito bíblico de sacrifício

Por que sacrifício? (Gn 3:21, 22; Ez 18:20; Hb 9:22). A Bíblia define pecado como transgressão da lei de Deus (1Jo 3:4). Sendo que existe um aspecto relacional nessa Lei, o pecado cria um rompimento em nosso relacionamento com Deus. Como em qualquer relacionamento, cabe ao ofensor acertar as coisas com a pessoa ofendida. No entanto, a lei de Deus é clara: Quem pecar tem que morrer (Ez 18:20). A morte eterna, além de ser a pena pelo pecado (Rm 6:23), também é a consequência natural de estar separado de Deus (Is 59:2).

Diante disso, os pecadores se depararam com um sério problema. Não há nada que possam fazer para compensar seus pecados. “Somente o divino poder pode emancipar-nos dessa escravidão. Entretanto, Cristo nos assegura: ‘Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres’ (Jo 8:36). Ele disse que seremos capazes de produzir a justiça somente se permanecermos nEle. ‘Sem Mim nada podeis fazer’ (Jo 15:4, 5).”1

Gênesis 3:21 e 22 introduz os resultados imediatos do pecado. As roupas de “peles [de animais] eram um lembrete constante da inocência perdida [de Adão e Eva], da morte como salário do pecado, e do prometido Cordeiro de Deus que, por Sua própria morte vicária, tiraria os pecados do mundo. [...]

“O serviço sacrificial [apesar de não ser mencionado nesse texto], foi instituído nessa época.”2 Desses versos em diante, tudo nas Escrituras gira em torno do plano da salvação. E desde o início do pecado até hoje, Deus deseja que a humanidade caída aceite esse plano.

O que é sacrifício? (Lv 1:3; Dt 15:21; 1Cr 21:24). A palavra usada com mais frequência para traduzir “sacrifício” no Antigo Testamento significa literalmente “abater”.3 Isso sugere que no sacrifício, alguém precisava morrer para que o suplicante fosse aceito e tivesse seus pecados perdoados.

Outro fator, além da morte, era o valor do sacrifício. O animal sacrificado não poderia ter nenhum defeito físico (Dt 15:21; Lv 1:3). Essa ordem aponta para o sacrifício perfeito de Jesus. Ela também ressalta o valor do sacrifício para o doador.

Quando Davi pecou e trouxe calamidade sobre Israel, ordenando um recenseamento, Deus ordenou-lhe que fizesse uma oferta pelo pecado na eira de Ornã, o jebuseu. Ao chegar, ele disse a Ornã que queria comprar o terreno, para cumprir a ordem de Deus. O dono da eira a ofereceu de graça para Davi, juntamente com todos os animais e a madeira de que ele precisava para o sacrifício. A resposta de Davi foi enfática: “Não [...] oferecerei um holocausto que não me custe nada” (1Cr 21:24). Essa é mais uma evidência de que o sacrifício precisa ser de valor para quem o oferece. Precisa custar alguma coisa.

“Deus proverá” (Gn 22:1-18; Ef 1:4; Ap 13:8). O conceito bíblico de sacrifício como uma substituição se opõe ao conceito pagão de sacrifício como forma de acalmar um deus irado. Antes mesmo de criar o mundo, Deus já havia providenciado um plano de salvação que incluía sacrifício (Ef 1:4; Ap 13:8). Nesse plano, o próprio Deus providenciaria o sacrifício expiatório; e, até que Seu Filho viesse morrer em lugar dos pecadores, Seu povo deveria oferecer sacrifícios de animais. Esses animais morriam, simbolicamente, em lugar do pecador, assim como Cristo morreria em nosso lugar.

Em Gênesis 22:1-18 temos um quadro profético do plano da redenção. Deus mandou Abraão oferecer seu filho como sacrifício. Quando, no caminho, Isaque perguntou a seu pai sobre o cordeiro, Abraão afirmou que “Deus mesmo [haveria] de prover o cordeiro para o holocausto” (v. 8). Essa resposta “constitui uma expressão profética que emana das alturas da fé heroica à qual [o coração de Abraão] havia se elevado. Por inspiração, apontou tanto para o carneiro do verso 13 quanto para o Cordeiro de Deus [...].”4

Sacrifício vivo (Rm 12:1). O apóstolo Paulo apelou aos cristãos de Roma, e a nós também, para que nos ofereçamos “em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”, pois este é o nosso “culto racional”. “Os sacrifícios do sistema cerimonial do Antigo Testamento consistiam de animais mortos. O sacrifício cristão consiste de pessoas vivas. O adorador cristão se apresenta vivo, com todas as suas energias e poderes consagrados ao serviço de Deus.”5

1. Nisto Cremos, p. 116.
2. SDA Bible Commentary, v. 1, 2a ed., p. 235.
3. Young’s Analytical Concordance (Eerdmans Publishing Company: Grand Rapids, MI, 1970), p. 829.
4. SDA Bible Commentary, v. 1, 2a ed., p. 352.

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